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O que é

A cirurgia robótica é uma forma de cirurgia minimamente invasiva, feita por pequenos cortes, como a laparoscopia. A diferença está em como o cirurgião trabalha: sentado em um console, ele comanda instrumentos articulados e uma câmera com imagem em 3D, que ficam presos a braços robóticos junto à paciente [1].

O robô não opera sozinho nem toma decisões: cada movimento é feito pelo cirurgião, e a equipe fica ao lado da paciente durante toda a cirurgia.

O que a robótica acrescenta

  • Visão em 3D, ampliada e estável, controlada pelo próprio cirurgião, que ajuda a identificar estruturas delicadas como nervos, ureter e vasos.
  • Instrumentos articulados, que se dobram como um punho e alcançam ângulos difíceis na pelve profunda.
  • Movimentos mais finos, com filtragem do tremor natural da mão e redução da escala dos movimentos.
  • Sutura e dissecção em espaços estreitos, como atrás do útero, junto ao intestino e ao ureter.
  • Ergonomia para o cirurgião, que opera sentado no console, o que conta em cirurgias longas e complexas.

Por esses recursos, a robótica é uma opção valiosa sobretudo nos casos avançados de endometriose, com segurança semelhante à da laparoscopia [2, 3]. É uma tecnologia cada vez mais usada na cirurgia ginecológica em todo o mundo, e os médicos da Clínica têm formação e prática nas duas técnicas.

Na Clínica, a cirurgia robótica é feita sempre pelos dois médicos juntos: quatro olhos e quatro mãos sobre o mesmo caso, do planejamento à sala de cirurgia. A Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro é Secretária da Comissão Especializada em Cirurgia Robótica Ginecológica da FEBRASGO, e o Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro é Vice-Presidente da Comissão Especializada em Endoscopia Ginecológica da FEBRASGO. As cirurgias robóticas são feitas nos hospitais Vila Nova Star, São Luiz Itaim e São Luiz Morumbi.

Para quem pode ser indicada e para quem não

Na ginecologia, a cirurgia robótica pode ser usada em:

  • endometriose profunda, inclusive com envolvimento de intestino, bexiga ou ureter [2, 3];
  • miomectomia, sobretudo quando há muitas suturas a fazer no útero;
  • histerectomia e cirurgias de adenomiose [1].

Ela pode não ser a opção adequada quando há contraindicação à cirurgia minimamente invasiva em geral, como algumas doenças cardíacas ou pulmonares graves, ou em úteros muito grandes. A disponibilidade do robô no hospital e a cobertura do plano de saúde também entram na decisão.

Como é feita

  1. Com anestesia geral, são feitos de 4 a 6 pequenos cortes na barriga, de cerca de 1 cm.
  2. A barriga é inflada com gás para criar espaço, como na laparoscopia.
  3. Os instrumentos e a câmera são posicionados e conectados aos braços robóticos.
  4. O cirurgião opera a partir do console; um segundo cirurgião fica ao lado da paciente, auxiliando.
  5. Ao final, os cortes são fechados com pontos pequenos.

Preparo

  • Consulta pré-anestésica e exames pré-operatórios.
  • Jejum conforme a orientação da anestesia.
  • Preparo intestinal, quando a cirurgia pode envolver o intestino.
  • Revisão dos remédios em uso, sobretudo anticoagulantes.

Você recebe as orientações por escrito, com o hospital e o horário.

Recuperação

A recuperação é parecida com a da laparoscopia e depende muito do que foi feito na cirurgia [1, 2]:

Cirurgia Internação Atividades leves
Endometriose sem intestino, miomectomia, histerectomia 1 a 2 dias 2 a 3 semanas
Endometriose com cirurgia intestinal 2 a 4 dias 3 a 4 semanas

Atividade física intensa e relação sexual são liberadas em consulta de retorno, em geral a partir de 4 a 6 semanas.

Riscos e como reduzimos

Os riscos são os de qualquer cirurgia minimamente invasiva: sangramento, infecção, lesão de órgãos vizinhos, trombose e, raramente, necessidade de converter para cirurgia aberta. Nos estudos, as taxas de complicação são semelhantes às da laparoscopia [1, 2, 3].

Para reduzi-los: planejamento com exame de imagem feito com protocolo para endometriose [4], avaliação pré-operatória completa, participação de cirurgião do aparelho digestivo ou urologista quando indicado, e prevenção de trombose conforme o risco de cada paciente.

Comparação honesta com a laparoscopia

Cirurgia robótica Laparoscopia
Tipo de acesso pequenos cortes pequenos cortes
Visão 3D, ampliada, câmera controlada pelo cirurgião 2D ou 3D, câmera conduzida por um auxiliar
Instrumentos articulados, como um punho retos
Precisão dos movimentos filtragem de tremor e escala de movimento depende só da mão do cirurgião
Ergonomia do cirurgião sentado no console em pé, junto à paciente
Complicações e perda de sangue semelhantes nos estudos [1, 2, 3] semelhantes nos estudos [1, 2, 3]
Tempo de internação semelhante [2, 3] semelhante [2, 3]
Tempo de cirurgia em geral maior, em parte pelo preparo do equipamento [1, 2, 3] em geral menor
Disponibilidade e custo em expansão; custo maior ampla disponibilidade

Robótica e laparoscopia são técnicas complementares, e a Clínica oferece as duas. Nos casos complexos, os recursos da robótica ampliam o que o cirurgião vê e alcança; o que mais pesa no resultado continua sendo o planejamento e a experiência da equipe com a doença. A escolha da técnica é feita com você, conforme o caso e o hospital.

Perguntas frequentes

Quem opera é o robô?

Não. O cirurgião comanda cada movimento a partir do console; o robô não age sozinho [1].

O que a robótica acrescenta?

Visão em 3D ampliada, instrumentos articulados e movimentos mais finos, que ajudam em cirurgias delicadas na pelve profunda [2, 3].

A cirurgia robótica é mais segura que a laparoscopia?

Os estudos mostram taxas de complicação semelhantes entre as duas [1, 2, 3].

A recuperação é mais rápida?

É parecida com a da laparoscopia; depende sobretudo do que foi feito na cirurgia [2, 3].

Por que a cirurgia robótica demora mais?

O preparo e o posicionamento do equipamento acrescentam tempo, e os estudos mostram tempo de cirurgia em geral maior [1, 2, 3].

Quando a robótica faz mais sentido?

Em casos complexos, como endometriose profunda com intestino, ureter ou nervos, miomectomias com muitas suturas, histerectomias difíceis e pacientes com obesidade, conforme o caso e o hospital.

Posso escolher entre robótica e laparoscopia?

A escolha é feita com você, considerando o seu caso, o hospital e a cobertura do plano.

O plano de saúde cobre a cirurgia robótica?

A cobertura varia conforme o plano e o contrato. A equipe orienta sobre os custos antes de qualquer decisão.

Quantos cortes são feitos?

Em geral de 4 a 6 pequenos cortes de cerca de 1 cm.

Posso engravidar depois?

A técnica não muda isso; o que conta é a doença tratada e o que foi feito na cirurgia.

Referências

  1. Lawrie TA, Liu H, Lu D, et al. Robot-assisted surgery in gynaecology. Cochrane Database Syst Rev. 2019;4(4):CD011422. doi:10.1002/14651858.CD011422.pub2 · PMID 30985921
  2. Restaino S, Mereu L, Finelli A, et al. Robotic surgery vs laparoscopic surgery in patients with diagnosis of endometriosis: a systematic review and meta-analysis. J Robot Surg. 2020;14(5):687-694. doi:10.1007/s11701-020-01061-y · PMID 32146573
  3. Xydias EM, Tsakos E, Daniilidis A, et al. The role of robotic surgery in the treatment of advanced endometriosis: a systematic review and meta-analysis. Minerva Obstet Gynecol. 2026;78(4):348-365. doi:10.23736/S2724-606X.25.05814-2 · PMID 41665881
  4. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465

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