Como tratamos
Cirurgia robótica
A cirurgia robótica é uma forma de cirurgia minimamente invasiva em que o cirurgião opera, por pequenos cortes, comandando instrumentos articulados e uma câmera em 3D. É uma tecnologia em expansão na ginecologia, que amplia a visão e a precisão do cirurgião, sobretudo em casos complexos como a endometriose profunda e as miomectomias com muitas suturas. A segurança é semelhante à da laparoscopia; as duas técnicas se complementam, e a escolha é feita com você, conforme o caso e o hospital.
Autoria: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239) e Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro (CRM-SP 85949, RQE 56380)
Revisão: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239), Diretor Científico · Revisado em
O que é
A cirurgia robótica é uma forma de cirurgia minimamente invasiva, feita por pequenos cortes, como a laparoscopia. A diferença está em como o cirurgião trabalha: sentado em um console, ele comanda instrumentos articulados e uma câmera com imagem em 3D, que ficam presos a braços robóticos junto à paciente [1].
O robô não opera sozinho nem toma decisões: cada movimento é feito pelo cirurgião, e a equipe fica ao lado da paciente durante toda a cirurgia.
O que a robótica acrescenta
- Visão em 3D, ampliada e estável, controlada pelo próprio cirurgião, que ajuda a identificar estruturas delicadas como nervos, ureter e vasos.
- Instrumentos articulados, que se dobram como um punho e alcançam ângulos difíceis na pelve profunda.
- Movimentos mais finos, com filtragem do tremor natural da mão e redução da escala dos movimentos.
- Sutura e dissecção em espaços estreitos, como atrás do útero, junto ao intestino e ao ureter.
- Ergonomia para o cirurgião, que opera sentado no console, o que conta em cirurgias longas e complexas.
Por esses recursos, a robótica é uma opção valiosa sobretudo nos casos avançados de endometriose, com segurança semelhante à da laparoscopia [2, 3]. É uma tecnologia cada vez mais usada na cirurgia ginecológica em todo o mundo, e os médicos da Clínica têm formação e prática nas duas técnicas.
Na Clínica, a cirurgia robótica é feita sempre pelos dois médicos juntos: quatro olhos e quatro mãos sobre o mesmo caso, do planejamento à sala de cirurgia. A Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro é Secretária da Comissão Especializada em Cirurgia Robótica Ginecológica da FEBRASGO, e o Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro é Vice-Presidente da Comissão Especializada em Endoscopia Ginecológica da FEBRASGO. As cirurgias robóticas são feitas nos hospitais Vila Nova Star, São Luiz Itaim e São Luiz Morumbi.
Para quem pode ser indicada e para quem não
Na ginecologia, a cirurgia robótica pode ser usada em:
- endometriose profunda, inclusive com envolvimento de intestino, bexiga ou ureter [2, 3];
- miomectomia, sobretudo quando há muitas suturas a fazer no útero;
- histerectomia e cirurgias de adenomiose [1].
Ela pode não ser a opção adequada quando há contraindicação à cirurgia minimamente invasiva em geral, como algumas doenças cardíacas ou pulmonares graves, ou em úteros muito grandes. A disponibilidade do robô no hospital e a cobertura do plano de saúde também entram na decisão.
Como é feita
- Com anestesia geral, são feitos de 4 a 6 pequenos cortes na barriga, de cerca de 1 cm.
- A barriga é inflada com gás para criar espaço, como na laparoscopia.
- Os instrumentos e a câmera são posicionados e conectados aos braços robóticos.
- O cirurgião opera a partir do console; um segundo cirurgião fica ao lado da paciente, auxiliando.
- Ao final, os cortes são fechados com pontos pequenos.
Preparo
- Consulta pré-anestésica e exames pré-operatórios.
- Jejum conforme a orientação da anestesia.
- Preparo intestinal, quando a cirurgia pode envolver o intestino.
- Revisão dos remédios em uso, sobretudo anticoagulantes.
Você recebe as orientações por escrito, com o hospital e o horário.
Recuperação
A recuperação é parecida com a da laparoscopia e depende muito do que foi feito na cirurgia [1, 2]:
| Cirurgia | Internação | Atividades leves |
|---|---|---|
| Endometriose sem intestino, miomectomia, histerectomia | 1 a 2 dias | 2 a 3 semanas |
| Endometriose com cirurgia intestinal | 2 a 4 dias | 3 a 4 semanas |
Atividade física intensa e relação sexual são liberadas em consulta de retorno, em geral a partir de 4 a 6 semanas.
Riscos e como reduzimos
Os riscos são os de qualquer cirurgia minimamente invasiva: sangramento, infecção, lesão de órgãos vizinhos, trombose e, raramente, necessidade de converter para cirurgia aberta. Nos estudos, as taxas de complicação são semelhantes às da laparoscopia [1, 2, 3].
Para reduzi-los: planejamento com exame de imagem feito com protocolo para endometriose [4], avaliação pré-operatória completa, participação de cirurgião do aparelho digestivo ou urologista quando indicado, e prevenção de trombose conforme o risco de cada paciente.
Comparação honesta com a laparoscopia
| Cirurgia robótica | Laparoscopia | |
|---|---|---|
| Tipo de acesso | pequenos cortes | pequenos cortes |
| Visão | 3D, ampliada, câmera controlada pelo cirurgião | 2D ou 3D, câmera conduzida por um auxiliar |
| Instrumentos | articulados, como um punho | retos |
| Precisão dos movimentos | filtragem de tremor e escala de movimento | depende só da mão do cirurgião |
| Ergonomia do cirurgião | sentado no console | em pé, junto à paciente |
| Complicações e perda de sangue | semelhantes nos estudos [1, 2, 3] | semelhantes nos estudos [1, 2, 3] |
| Tempo de internação | semelhante [2, 3] | semelhante [2, 3] |
| Tempo de cirurgia | em geral maior, em parte pelo preparo do equipamento [1, 2, 3] | em geral menor |
| Disponibilidade e custo | em expansão; custo maior | ampla disponibilidade |
Robótica e laparoscopia são técnicas complementares, e a Clínica oferece as duas. Nos casos complexos, os recursos da robótica ampliam o que o cirurgião vê e alcança; o que mais pesa no resultado continua sendo o planejamento e a experiência da equipe com a doença. A escolha da técnica é feita com você, conforme o caso e o hospital.
Perguntas frequentes
Quem opera é o robô?
Não. O cirurgião comanda cada movimento a partir do console; o robô não age sozinho [1].
O que a robótica acrescenta?
A cirurgia robótica é mais segura que a laparoscopia?
A recuperação é mais rápida?
Por que a cirurgia robótica demora mais?
Quando a robótica faz mais sentido?
Em casos complexos, como endometriose profunda com intestino, ureter ou nervos, miomectomias com muitas suturas, histerectomias difíceis e pacientes com obesidade, conforme o caso e o hospital.
Posso escolher entre robótica e laparoscopia?
A escolha é feita com você, considerando o seu caso, o hospital e a cobertura do plano.
O plano de saúde cobre a cirurgia robótica?
A cobertura varia conforme o plano e o contrato. A equipe orienta sobre os custos antes de qualquer decisão.
Quantos cortes são feitos?
Em geral de 4 a 6 pequenos cortes de cerca de 1 cm.
Posso engravidar depois?
A técnica não muda isso; o que conta é a doença tratada e o que foi feito na cirurgia.
Referências
- Lawrie TA, Liu H, Lu D, et al. Robot-assisted surgery in gynaecology. Cochrane Database Syst Rev. 2019;4(4):CD011422. doi:10.1002/14651858.CD011422.pub2 · PMID 30985921
- Restaino S, Mereu L, Finelli A, et al. Robotic surgery vs laparoscopic surgery in patients with diagnosis of endometriosis: a systematic review and meta-analysis. J Robot Surg. 2020;14(5):687-694. doi:10.1007/s11701-020-01061-y · PMID 32146573
- Xydias EM, Tsakos E, Daniilidis A, et al. The role of robotic surgery in the treatment of advanced endometriosis: a systematic review and meta-analysis. Minerva Obstet Gynecol. 2026;78(4):348-365. doi:10.23736/S2724-606X.25.05814-2 · PMID 41665881
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
