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O que é

Na adenomiose, o tecido que reveste o útero por dentro (o endométrio) cresce para dentro do músculo do útero. O útero pode ficar maior, mais grosso e mais sensível, e sangrar mais na menstruação [1].

É uma doença benigna. Antes era vista como uma condição de mulheres acima dos 40 anos, mas hoje, com o ultrassom e a ressonância, é encontrada também em mulheres jovens. Muitas vezes aparece junto com a endometriose ou com miomas [1].

Sinais e sintomas

  • Menstruação abundante ou prolongada, às vezes com coágulos e anemia.
  • Cólica menstrual forte, que costuma piorar com o tempo.
  • Dor pélvica ou sensação de peso fora da menstruação.
  • Dor na relação sexual.
  • Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais [1].

Há mulheres com adenomiose que não têm sintomas; nesses casos, em geral, não é preciso tratar.

Como investigamos

  1. A sua história: como é a menstruação e a dor, e se você quer engravidar.
  2. O exame ginecológico, que pode mostrar um útero aumentado e sensível.
  3. Ultrassom transvaginal, de preferência feito com os critérios padronizados para adenomiose, que descrevem onde ela está e qual a extensão [2].
  4. Ressonância magnética, quando o ultrassom deixa dúvidas ou para planejar uma cirurgia [1].
  5. Exames de sangue, como o hemograma, para ver se há anemia.

Um ultrassom normal feito sem esse objetivo não exclui a adenomiose [1]. A classificação internacional das causas de sangramento uterino também ajuda a separar a adenomiose de outras causas, como mioma e pólipo [3].

Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro analisando uma ressonância magnética

Opções de tratamento

  • Tratamento hormonal: DIU hormonal, progestágenos ou pílula contínua, que reduzem o sangramento e a dor em muitas mulheres, enquanto são usados [1].
  • Medicações para o sangramento e a dor nos dias da menstruação, e tratamento da anemia quando houver.
  • Cirurgia que preserva o útero (adenomiomectomia): é uma cirurgia de exceção, reservada a poucos casos de adenomiose localizada que não responderam ao tratamento clínico, sobretudo em quem quer engravidar. Na maioria das mulheres operadas os sintomas melhoram, mas a adenomiose pode voltar [4].
  • Retirada do útero (histerectomia), por laparoscopia ou cirurgia robótica, quando não há desejo de engravidar e os outros tratamentos não bastaram. É o único tratamento definitivo [1].
  • Outros procedimentos, como a embolização das artérias uterinas ou a ablação por ultrassom focalizado, podem ser considerados em casos selecionados.

Como decidimos juntos

A escolha depende dos sintomas, da extensão da adenomiose, da presença de endometriose ou miomas e, principalmente, do seu desejo de engravidar. Se você recebeu indicação de retirar o útero, a consulta mostra se há alternativas no seu caso e o que cada uma pode oferecer. A decisão é sua.

Se a cirurgia for indicada

A adenomiomectomia retira a parte do músculo do útero afetada e reconstrói a parede, preservando o útero. É uma cirurgia de exceção e delicada, indicada para poucos casos selecionados, e quem engravida depois precisa de acompanhamento pré-natal atento [4]. A histerectomia pode preservar os ovários, conforme a idade e o caso.

As duas são feitas por laparoscopia ou cirurgia robótica, com pequenos cortes. Quando há endometriose ao mesmo tempo, ela é tratada na mesma cirurgia.

Recuperação. A internação costuma durar de 1 a 2 dias. A volta às atividades leves costuma acontecer em 3 a 4 semanas; depois da adenomiomectomia, o intervalo até tentar engravidar é combinado com você.

Recorrência e acompanhamento

Depois da adenomiomectomia, a adenomiose pode voltar [4]. Com tratamento hormonal, os sintomas podem voltar quando ele é interrompido. O acompanhamento é feito com consultas periódicas e ultrassom quando necessário. Depois da menopausa, os sintomas costumam diminuir [1].

Perguntas frequentes

Adenomiose é a mesma coisa que endometriose?

Não, mas são parecidas e muitas vezes aparecem juntas. Na adenomiose o tecido está dentro do músculo do útero; na endometriose, fora do útero [1].

Adenomiose vira câncer?

Não. É uma doença benigna [1].

Toda adenomiose precisa de tratamento?

Não. Se não há sintomas, em geral basta acompanhar.

O DIU hormonal funciona para adenomiose?

Em muitas mulheres reduz o sangramento e a cólica, enquanto está em uso [1].

Vou precisar tirar o útero?

Na maioria das vezes, não. A retirada do útero é considerada quando não há desejo de engravidar e os outros tratamentos não bastaram.

Existe cirurgia que preserva o útero?

Existe, a adenomiomectomia, mas é uma cirurgia de exceção, indicada para poucos casos selecionados [4].

Consigo engravidar tendo adenomiose?

Muitas mulheres engravidam. A adenomiose pode dificultar a gravidez e aumentar alguns riscos na gestação, e por isso o planejamento é feito com você [1].

O ultrassom comum mostra adenomiose?

Pode mostrar, principalmente quando feito com os critérios padronizados para adenomiose. A ressonância ajuda quando há dúvida [1, 2].

A adenomiose melhora na menopausa?

Os sintomas costumam diminuir depois da menopausa [1].

Recebi indicação de histerectomia. Vale ouvir outra opinião?

Vale. Veja Segunda opinião.

Referências

  1. Vannuccini S, Petraglia F. Recent advances in understanding and managing adenomyosis. F1000Res. 2019;8:F1000 Faculty Rev-283. doi:10.12688/f1000research.17242.1 · PMID 30918629
  2. Van den Bosch T, Dueholm M, Leone FPG, et al. Terms, definitions and measurements to describe sonographic features of myometrium and uterine masses: a consensus opinion from the Morphological Uterus Sonographic Assessment (MUSA) group. Ultrasound Obstet Gynecol. 2015;46(3):284-98. doi:10.1002/uog.14806 · PMID 25652685
  3. Munro MG, Critchley HOD, Fraser IS; FIGO Menstrual Disorders Committee. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding symptoms and classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years: 2018 revisions. Int J Gynaecol Obstet. 2018;143(3):393-408. doi:10.1002/ijgo.12666 · PMID 30198563
  4. Younes G, Tulandi T. Conservative surgery for adenomyosis and results: a systematic review. J Minim Invasive Gynecol. 2018;25(2):265-276. doi:10.1016/j.jmig.2017.07.014 · PMID 28739414

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