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O que é

O tratamento clínico é o cuidado sem cirurgia: remédios que controlam a dor e a atividade da doença, junto com medidas que reduzem a inflamação e ajudam o corpo a lidar com a dor.

Na endometriose, os remédios hormonais diminuem ou suspendem a menstruação e, com isso, o estímulo sobre as lesões. A diretriz europeia recomenda oferecer esse tratamento para a dor, e ele pode começar mesmo sem cirurgia para confirmar o diagnóstico, quando a história e os exames apontam para endometriose [1].

É importante saber desde o início: o tratamento clínico controla os sintomas enquanto é usado, mas não faz as lesões desaparecerem. Quando ele é suspenso, os sintomas podem voltar [1, 2].

Para quem pode ser indicada e para quem não

Opção Para que serve O que saber
Analgésicos e anti-inflamatórios aliviar a cólica e a dor úteis nas crises; não tratam a doença [1]
Progestagênio (pílula, injetável, implante ou DIU hormonal) reduzir ou suspender a menstruação e a dor costuma ser a primeira escolha; pode dar escapes de sangramento [1, 3]
Anticoncepcional combinado, de uso contínuo reduzir a dor menstrual alternativa quando não há contraindicação ao estrogênio [1]
Bloqueadores hormonais (análogos e antagonistas de GnRH) casos que não respondem às opções acima usados com reposição hormonal (add-back) para proteger os ossos; os antagonistas orais reduziram a dor em estudos recentes [1, 4]
Neuromoduladores (alguns antidepressivos e anticonvulsivantes, em dose para dor) dor pélvica crônica com componente nervoso não são para tratar depressão; atuam na forma como o sistema nervoso processa a dor [5]

Além dos remédios, fazem parte do tratamento:

  • fisioterapia pélvica, sobretudo quando há tensão da musculatura do assoalho pélvico e dor na relação;
  • atividade física regular e orientação nutricional;
  • acompanhamento em saúde mental, porque ansiedade e depressão são frequentes e pesam na dor [2].

Cada um desses cuidados será abordado em detalhe em outro momento, em páginas próprias.

Para mioma e adenomiose, também há opções clínicas que reduzem o sangramento e a dor, como o DIU hormonal e outros hormonais, explicadas nas páginas de cada doença.

Como funciona na prática

  1. Na consulta, escolhemos com você a opção que combina com os seus sintomas, o seu momento de vida, o desejo ou não de engravidar e o que você já usou antes.
  2. Nos primeiros 3 meses, o corpo se adapta. Escapes de sangramento são comuns no início de muitos hormonais.
  3. Na consulta de retorno, avaliamos a dor, os efeitos e a qualidade de vida. Se não houve melhora suficiente, ajustamos a dose ou trocamos de opção.
  4. A longo prazo, o tratamento é mantido enquanto fizer sentido para você, com retornos periódicos e exames quando indicados.
Sala de atendimento multidisciplinar, com espaldar para fisioterapia

Antes de começar

  • Conte todos os remédios que você usa e já usou, e como reagiu a eles.
  • Informe histórico de trombose, enxaqueca com aura, pressão alta, tabagismo e doenças do fígado, que mudam a escolha do hormonal.
  • Diga se pretende engravidar: a maioria dos hormonais é também anticoncepcional.

Acompanhamento

O tratamento clínico não tem recuperação como a cirurgia, mas precisa de acompanhamento: retorno em cerca de 3 meses depois de começar ou trocar o remédio e, depois, conforme a evolução. Se a dor volta, muda ou não melhora, a avaliação é refeita. Veja também a página sobre dor que persiste.

Efeitos possíveis

Dependem do remédio. Os mais comuns são escapes de sangramento, dor nas mamas, alteração de humor, acne, retenção de líquido e diminuição do desejo sexual [3]. Os bloqueadores hormonais podem causar ondas de calor e perda de massa óssea, por isso são usados com reposição e por tempo definido [1, 4]. Os anticoncepcionais combinados aumentam o risco de trombose em quem já tem fatores de risco.

Se um efeito incomodar, não suspenda sozinha: fale com a equipe, porque quase sempre há outra opção.

Tratamento clínico ou cirurgia?

Tratamento clínico Cirurgia
O que faz controla os sintomas enquanto é usado retira as lesões
Precisa confirmar o diagnóstico antes não [1] a cirurgia confirma pela biópsia
Gravidez a maioria dos hormonais impede a gravidez enquanto usada pode aumentar a chance de gravidez em alguns casos [1]
Quando costuma ser indicado primeiro passo na maioria dos casos dor que não melhora com remédio, efeitos que não são tolerados, doença que compromete intestino, ureter ou outros órgãos, ou desejo de gravidez em casos selecionados [1]

Os dois caminhos não competem: muitas mulheres usam tratamento clínico antes e depois da cirurgia. A decisão é feita com você.

Perguntas frequentes

O tratamento clínico cura a endometriose?

Não. Ele controla os sintomas enquanto é usado; quando é suspenso, a dor pode voltar [1, 2].

Preciso operar para confirmar o diagnóstico antes de começar?

Não. Com a história e os exames sugestivos, o tratamento hormonal pode começar sem cirurgia [1].

Por quanto tempo vou usar?

Enquanto fizer sentido para você e estiver funcionando, com retornos periódicos. Muitas mulheres usam por anos.

Parar de menstruar faz mal?

Não. Com o hormonal, não há acúmulo de sangue dentro do útero; a menstruação volta depois que o remédio é suspenso.

E se eu quiser engravidar?

A maioria dos hormonais impede a gravidez enquanto é usada. O plano muda: pode incluir cirurgia ou reprodução assistida, conforme o caso [1].

O DIU hormonal ajuda na endometriose?

Pode ajudar a reduzir a dor e o sangramento e é uma das opções de progestagênio [1].

Tomo antidepressivo para dor. Isso quer dizer que a dor é psicológica?

Não. Em dose para dor, esses remédios agem na forma como os nervos transmitem a dor [5].

O remédio pode diminuir o desejo sexual?

Alguns hormonais podem [3]. Se acontecer, fale na consulta: há outras opções.

Quando o tratamento clínico não basta?

Quando a dor não melhora, os efeitos não são tolerados ou a doença compromete intestino, ureter ou outros órgãos. Aí a cirurgia é discutida com você [1].

Referências

  1. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
  2. Horne AW, Missmer SA. Pathophysiology, diagnosis, and management of endometriosis. BMJ. 2022;379:e070750. doi:10.1136/bmj-2022-070750 · PMID 36375827
  3. Brown J, Kives S, Akhtar M. Progestagens and anti-progestagens for pain associated with endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2012;2012(3):CD002122. doi:10.1002/14651858.CD002122.pub2 · PMID 22419284
  4. Giudice LC, As-Sanie S, Arjona Ferreira JC, et al. Once daily oral relugolix combination therapy versus placebo in patients with endometriosis-associated pain: two replicate phase 3, randomised, double-blind, studies (SPIRIT 1 and 2). Lancet. 2022;399(10343):2267-2279. doi:10.1016/S0140-6736(22)00622-5 · PMID 35717987
  5. Poli OB, Silva JCRE, Petta CA, et al. Use of oral neuromodulators in chronic pelvic pain. Febrasgo Position Statement nº 8, 2025. Rev Bras Ginecol Obstet. 2025;47:e-FPS8. doi:10.61622/rbgo/2025FPS8 · PMID 41341930 (com a Profa. Helizabet entre os autores)

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