Pular para o conteúdo

O que é

A laparoscopia é uma cirurgia minimamente invasiva: em vez de um corte grande, são feitos pequenos cortes na barriga, por onde entram uma câmera e instrumentos finos. A imagem aparece ampliada em monitores, e o cirurgião opera olhando para eles.

Na endometriose, a diretriz europeia recomenda a laparoscopia, e não a cirurgia aberta, quando a cirurgia é indicada [4]. A laparoscopia permite retirar as lesões, desfazer aderências e devolver os órgãos à posição normal. Em mulheres com endometriose que querem engravidar, o tratamento laparoscópico aumenta a chance de gravidez em comparação com apenas olhar a pelve [1].

Os dois médicos da Clínica têm título de habilitação conferido pela FEBRASGO em laparoscopia, histeroscopia e cirurgia robótica, e operam juntos: o médico que você escolheu é o cirurgião responsável, e o outro opera ao lado, auxiliando.

Para quem pode ser indicada e para quem não

A laparoscopia pode ser usada em:

  • endometriose, da superficial à profunda, inclusive com envolvimento de intestino, bexiga ou ureter [1, 4];
  • cistos de ovário, incluindo o endometrioma, com cuidado para preservar o ovário;
  • miomas (miomectomia), quando o tamanho e a posição permitem [2];
  • histerectomia, quando a retirada do útero é indicada [3];
  • dor pélvica crônica sem causa esclarecida pelos exames, quando o tratamento clínico não funcionou.

Na endometriose intestinal, a técnica depende do nódulo. Nódulos maiores que 3 cm costumam exigir a ressecção segmentar, a retirada de um trecho do intestino. Nódulos de até 3 cm podem ser tratados com técnicas que preservam o intestino: o shaving, a nodulectomia linear ou a ressecção discoide, conforme a profundidade e a localização. Estudos do nosso grupo mostram como o ultrassom com preparo intestinal ajuda a escolher a técnica antes da cirurgia [5] e que as técnicas conservadoras se associam a menos intestino preso depois [6].

A laparoscopia pode não ser a opção adequada em algumas doenças cardíacas ou pulmonares graves, em úteros muito grandes ou quando há suspeita de câncer que peça outra abordagem.

Como é feita

  1. Com anestesia geral, são feitos de 3 a 5 pequenos cortes, de 0,5 a 1 cm; um deles fica no umbigo.
  2. A barriga é inflada com gás carbônico para criar espaço.
  3. A câmera e os instrumentos são introduzidos, e a cirurgia é feita olhando para o monitor.
  4. Quando é preciso retirar um mioma ou o útero, a peça é removida por um dos cortes ou pela vagina, com técnica protegida.
  5. Ao final, o gás é retirado e os cortes são fechados com pontos pequenos.

Preparo

  • Consulta pré-anestésica e exames pré-operatórios.
  • Jejum conforme a orientação da anestesia.
  • Preparo intestinal, quando a cirurgia pode envolver o intestino.
  • Revisão dos remédios em uso, sobretudo anticoagulantes.

Você recebe as orientações por escrito, com o hospital e o horário.

Recuperação

Comparada à cirurgia aberta, a laparoscopia traz menos dor e menos febre depois da cirurgia, internação mais curta e volta mais rápida às atividades: na histerectomia, cerca de duas semanas antes [2, 3].

Cirurgia Internação Atividades leves
Cisto de ovário, endometriose superficial alta no mesmo dia ou em 1 dia 1 a 2 semanas
Endometriose profunda sem intestino, miomectomia, histerectomia 1 a 2 dias 2 a 3 semanas
Endometriose com cirurgia intestinal 2 a 4 dias 3 a 4 semanas

Atividade física intensa e relação sexual são liberadas em consulta de retorno, em geral a partir de 4 a 6 semanas. Dor no ombro nos primeiros dias é comum e vem do gás usado na cirurgia.

Riscos e como reduzimos

Os riscos são sangramento, infecção, lesão de órgãos vizinhos (intestino, bexiga, ureter), trombose e, raramente, a necessidade de converter para cirurgia aberta. Na histerectomia laparoscópica, a lesão de ureter é um pouco mais frequente do que na cirurgia aberta, embora continue rara [3].

Para reduzi-los: planejamento com exame de imagem feito com protocolo para endometriose [4, 5], avaliação pré-operatória completa, participação de cirurgião do aparelho digestivo ou urologista quando indicado, e prevenção de trombose conforme o risco de cada paciente.

Comparação honesta com as alternativas

Laparoscopia Cirurgia robótica Cirurgia aberta
Acesso pequenos cortes pequenos cortes um corte maior
Visão 2D ou 3D, ampliada 3D, ampliada, câmera controlada pelo cirurgião direta
Dor e febre depois da cirurgia menores que na aberta [2, 3] semelhantes à laparoscopia [7] maiores
Internação e volta às atividades mais curtas que na aberta [2, 3] semelhantes à laparoscopia [7] mais longas
Complicações semelhantes à robótica [7] semelhantes à laparoscopia [7] mais infecção de ferida [3]
Disponibilidade ampla em expansão ampla

Laparoscopia e robótica são técnicas complementares, e a Clínica oferece as duas. A escolha é feita com você, conforme o caso, o hospital e o plano de saúde.

Perguntas frequentes

Laparoscopia é o mesmo que videolaparoscopia?

Sim, são dois nomes para a mesma cirurgia.

Quantos cortes são feitos?

Em geral de 3 a 5, de 0,5 a 1 cm; um deles fica no umbigo.

A laparoscopia serve só para diagnóstico?

Não. Hoje o diagnóstico da endometriose é feito, na maioria das vezes, com a consulta e os exames de imagem. A laparoscopia é usada sobretudo para tratar [4].

Quanto tempo fico internada?

Depende do que for feito: de alta no mesmo dia até 2 a 4 dias quando há cirurgia no intestino.

Por que dói o ombro depois da cirurgia?

É o gás usado para inflar a barriga, que irrita o diafragma. Melhora em poucos dias.

A laparoscopia pode tratar endometriose no intestino?

Pode. Conforme o nódulo, a técnica vai do shaving, da nodulectomia linear e da ressecção discoide, que preservam o intestino, até a ressecção segmentar [5, 6].

Posso engravidar depois?

Em mulheres com endometriose, o tratamento laparoscópico aumenta a chance de gravidez [1]. O que pesa é a doença tratada e o que foi feito na cirurgia.

Laparoscopia ou robótica?

As duas são cirurgias por pequenos cortes, com segurança semelhante [7]. A escolha é feita com você, conforme o caso e o hospital.

O plano de saúde cobre?

A laparoscopia tem ampla cobertura; a equipe orienta sobre os custos antes de qualquer decisão.

Referências

  1. Bafort C, Beebeejaun Y, Tomassetti C, Bosteels J, Duffy JM. Laparoscopic surgery for endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2020;10(10):CD011031. doi:10.1002/14651858.CD011031.pub3 · PMID 33095458
  2. Bhave Chittawar P, Franik S, Pouwer AW, Farquhar C. Minimally invasive surgical techniques versus open myomectomy for uterine fibroids. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(10):CD004638. doi:10.1002/14651858.CD004638.pub3 · PMID 25331441
  3. Pickett CM, Seeratan DD, Mol BWJ, et al. Surgical approach to hysterectomy for benign gynaecological disease. Cochrane Database Syst Rev. 2023;8(8):CD003677. doi:10.1002/14651858.CD003677.pub6 · PMID 37642285
  4. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
  5. Abdalla-Ribeiro H, Maekawa MM, Lima RF, et al. Intestinal endometriotic nodules with a length greater than 2.25 cm and affecting more than 27% of the circumference are more likely to undergo segmental resection, rather than linear nodulectomy. PLoS One. 2021;16(4):e0247654. do nosso grupo doi:10.1371/journal.pone.0247654 · PMID 33857130
  6. Quintairos RA, Brito LGO, Farah D, Ribeiro HSAA, Ribeiro PAAG. Conservative versus radical surgery for women with deep infiltrating endometriosis: systematic review and meta-analysis of bowel function. J Minim Invasive Gynecol. 2022;29(11):1231-1240. do nosso grupo doi:10.1016/j.jmig.2022.09.551 · PMID 36184064
  7. Lawrie TA, Liu H, Lu D, et al. Robot-assisted surgery in gynaecology. Cochrane Database Syst Rev. 2019;4(4):CD011422. doi:10.1002/14651858.CD011422.pub2 · PMID 30985921

Se ficou dúvida sobre o seu caso, o próximo passo é uma conversa.

  1. Você conta, em poucas linhas, o que está sentindo e o que já investigou.
  2. Nossa equipe responde em até 2 horas em horário comercial.
  3. Você escolhe o horário, presencial ou por telemedicina.
WhatsApp