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Sala de atendimento multidisciplinar da Clínica

Você não está imaginando essa dor

Muitas mulheres continuam com dor depois de operar a endometriose, ou voltam a sentir dor meses ou anos depois. Isso não quer dizer que a cirurgia foi mal feita, nem que a dor “é psicológica”. Quer dizer que vale olhar de novo, com calma, para entender de onde ela vem [1, 4].

Por que a dor pode continuar ou voltar

  • A endometriose voltou. A endometriose é uma doença crônica e pode reaparecer depois da cirurgia. O risco de ela voltar é maior quando não há tratamento hormonal depois da cirurgia [2, 3].
  • Parte da doença não pôde ser retirada, por estar em um local de risco ou porque a cirurgia teve outro objetivo.
  • Existe outra causa de dor ao mesmo tempo, como adenomiose, aderências, dor muscular do assoalho pélvico, intestino irritável ou dor na bexiga [4, 5].
  • O sistema nervoso ficou mais sensível. Depois de muito tempo de dor, os nervos e o cérebro podem passar a amplificar os sinais de dor, mesmo quando há pouca doença. Isso se chama sensibilização, é real e tem tratamento [4, 5].

Muitas vezes mais de uma dessas causas está presente ao mesmo tempo.

Como é a reavaliação

  1. A história da sua dor antes e depois da cirurgia: o que melhorou, o que continuou, o que mudou e quando.
  2. O relatório da cirurgia anterior e a biópsia: o que foi encontrado, o que foi retirado e o que ficou.
  3. O exame ginecológico, que ajuda a separar a dor da endometriose da dor muscular ou de outros órgãos.
  4. Exames de imagem feitos para responder à pergunta certa: ultrassom com preparo intestinal ou ressonância com protocolo para endometriose, quando indicados [1].

Os caminhos possíveis

  • Tratamento hormonal, que reduz a dor e a chance de a doença voltar depois da cirurgia em quem não está tentando engravidar [1, 2].
  • Tratamento da dor como um todo: fisioterapia do assoalho pélvico, medicações para a dor de origem nervosa, atividade física orientada e apoio psicológico quando a dor afeta o sono, o humor e o trabalho [4, 5]. A Clínica conta com uma equipe multidisciplinar para esse cuidado e, quando necessário, indica outros profissionais para acompanhar você.
  • Tratamento das outras causas que aparecerem na reavaliação, como adenomiose ou problemas da bexiga e do intestino.
  • Nova cirurgia, quando a reavaliação mostra doença que explica os sintomas e que pode ser retirada com segurança.

Quando pensar em reoperar

Uma nova cirurgia pode ajudar, mas não é o primeiro passo para toda dor que volta. Ela costuma fazer sentido quando:

  • os exames mostram doença que explica a dor e que pode ser retirada;
  • há um órgão em risco, como o ureter ou o intestino;
  • o tratamento clínico bem conduzido não trouxe alívio ou não pôde ser usado.

Quando bem indicada, a cirurgia costuma trazer melhora da qualidade de vida que se mantém ao longo do tempo [6, 7]. Ainda assim, cada nova cirurgia tem os seus riscos, e a decisão é tomada com você, pesando o que se espera ganhar e o que se pode perder [1].

O que levar à consulta

  • O relatório de todas as cirurgias anteriores e o resultado das biópsias.
  • Fotos ou vídeos das cirurgias, se você tiver recebido.
  • Os exames de imagem de antes e de depois da cirurgia.
  • A lista dos tratamentos hormonais e para a dor que você já usou e como respondeu a eles.

Veja também Segunda opinião em endometriose profunda e Prepare-se para a consulta.

Perguntas frequentes

A dor voltou. Quer dizer que a cirurgia não deu certo?

Não necessariamente. A endometriose pode voltar mesmo depois de uma cirurgia bem feita, e a dor também pode ter outras causas. A reavaliação é que mostra o que está acontecendo [1, 4].

A endometriose volta sempre?

Não. Ela pode voltar, e o risco depende do tipo e da extensão da doença e de haver ou não tratamento hormonal depois da cirurgia [2, 3].

O tratamento hormonal depois da cirurgia ajuda?

Em quem não está tentando engravidar, ele reduz a chance de a doença voltar e ajuda a controlar a dor [1, 2]. A escolha do remédio é individual.

O que é sensibilização da dor?

É quando o sistema nervoso, depois de muito tempo de dor, passa a amplificar os sinais de dor. A dor é real, e o tratamento inclui medicações específicas, fisioterapia e outras abordagens, não só cirurgia [4, 5].

Vou precisar de outra cirurgia?

Nem sempre. A reoperação faz sentido quando os exames mostram doença que explica a dor e pode ser retirada com segurança, ou quando há um órgão em risco.

Não tenho o relatório da minha cirurgia. E agora?

Peça ao hospital onde a cirurgia foi feita, pelo setor de prontuário. Ele ajuda muito a entender o que foi feito e o que pode ter ficado.

Posso fazer essa avaliação por telemedicina?

A primeira conversa pode ser por telemedicina, com os relatórios e exames enviados antes. O exame ginecológico, muitas vezes importante neste caso, é combinado em seguida.

Referências

  1. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
  2. Zakhari A, Delpero E, McKeown S, Tomlinson G, Bougie O, Murji A. Endometriosis recurrence following post-operative hormonal suppression: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2021;27(1):96-107. doi:10.1093/humupd/dmaa033 · PMID 33020832
  3. Veth VB, Keukens A, Reijs A, Bongers MY, Mijatovic V, Coppus SFPJ, Maas JWM. Recurrence after surgery for endometrioma: a systematic review and meta-analyses. Fertil Steril. 2024;122(6):1079-1093. doi:10.1016/j.fertnstert.2024.07.033 · PMID 39098538
  4. Green IC, Burnett T, Famuyide A. Persistent pelvic pain in patients with endometriosis. Clin Obstet Gynecol. 2022;65(4):775-785. doi:10.1097/GRF.0000000000000712 · PMID 35467583
  5. McNamara HC, Frawley HC, Donoghue JF, et al. Peripheral, central, and cross sensitization in endometriosis-associated pain and comorbid pain syndromes. Front Reprod Health. 2021;3:729642. doi:10.3389/frph.2021.729642 · PMID 36303969
  6. Ribeiro PA, Sekula VG, Abdalla-Ribeiro HS, Rodrigues FC, Aoki T, Aldrighi JM. Impact of laparoscopic colorectal segment resection on quality of life in women with deep endometriosis: one year follow-up. Qual Life Res. 2014;23(2):639-43. doi:10.1007/s11136-013-0481-y · PMID 23912853
  7. Silveira da Cunha Araújo R, Abdalla Ayroza Ribeiro HS, Sekula VG, da Costa Porto BT, Ayroza Galvão Ribeiro PA. Long-term outcomes on quality of life in women submitted to laparoscopic treatment for bowel endometriosis. J Minim Invasive Gynecol. 2014;21(4):682-8. doi:10.1016/j.jmig.2014.02.005 · PMID 24530697

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