Sua consulta
Segunda opinião em endometriose profunda
A cirurgia de endometriose profunda é uma decisão importante, e ouvir uma segunda opinião antes de decidir é um direito seu. Com os seus exames e relatórios, a consulta revisa o diagnóstico, a extensão da doença e as alternativas, presencialmente ou por telemedicina. A segunda opinião pode confirmar a indicação, propor outro caminho ou mostrar que a cirurgia não é necessária agora, e a decisão continua sendo sua.
Autoria: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239) e Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro (CRM-SP 85949, RQE 56380)
Revisão: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239), Diretor Científico · Revisado em

Quando a segunda opinião faz sentido
- Você recebeu indicação de cirurgia e quer entender se ela é necessária agora, qual é a extensão prevista e quais são as alternativas.
- A cirurgia proposta envolve órgãos além do útero e dos ovários, como intestino, bexiga, ureter ou nervos, e você quer conhecer as opções de técnica.
- Você recebeu indicação de retirar o útero por mioma ou adenomiose e quer saber se há alternativas que preservem o útero no seu caso.
- Você quer engravidar e precisa pesar a cirurgia contra outros caminhos, como o tratamento de reprodução assistida [1].
- Já operou e a dor voltou, e foi proposta uma nova cirurgia.
- Os exames trazem conclusões diferentes e você não sabe em qual confiar.
O que a consulta de segunda opinião revisa
- O diagnóstico: se os sintomas, o exame e as imagens contam a mesma história.
- A extensão da doença: onde está a endometriose e o que isso muda no planejamento. Quando os exames não respondem a essa pergunta, o médico explica qual exame faria diferença e como ele deve ser feito [1].
- As alternativas: tratamento clínico, acompanhamento, reprodução assistida ou cirurgia, com os benefícios e os riscos de cada uma [1, 2].
- Se houver cirurgia, a técnica: no intestino, por exemplo, as opções vão do shaving à nodulectomia linear, à ressecção discoide e à ressecção segmentar, e a escolha depende do tamanho, da profundidade e da localização do nódulo, que o ultrassom com preparo intestinal ajuda a medir antes da cirurgia [1, 4].
O que levar ou enviar
- A indicação de cirurgia que você recebeu, com o que foi proposto, se tiver por escrito.
- Laudos e, se possível, as imagens de ultrassom e ressonância, inclusive os antigos.
- Relatórios de cirurgias anteriores e o resultado da biópsia, se houver.
- A lista de tratamentos já feitos e como você respondeu a eles.
Na telemedicina, envie tudo antes para [email protected]. A lista completa está em Prepare-se para a consulta.
Presencial ou por telemedicina
A segunda opinião pode ser feita das duas formas. A telemedicina costuma funcionar bem quando você já tem exames de boa qualidade; a consulta presencial permite o exame ginecológico, que às vezes muda a leitura do caso [1, 3]. Veja Telemedicina e Como é a consulta.
O que esperar e o que a segunda opinião não é
A segunda opinião é independente. Ela pode confirmar a indicação que você recebeu, propor outro caminho ou mostrar que a cirurgia não precisa ser feita agora. Em qualquer caso, você sai sabendo por quê.
Ela não é um compromisso de operar na Clínica. Se a cirurgia for indicada, você decide com quem e onde fazê-la. E você pode levar ao médico que já acompanha você tudo o que foi conversado.
A decisão é sua. O papel da consulta é deixar claras as opções, com o que a evidência mostra e o que é importante para você [2].
Perguntas frequentes
Pedir uma segunda opinião é desconfiar do meu médico?
Não. Diante de uma cirurgia, ouvir outra opinião é comum e é um direito seu. Muitas vezes ela confirma o que foi proposto, e você decide com mais segurança.
Preciso contar ao meu médico?
Não é obrigatório. Se quiser, pode levar a ele tudo o que foi conversado na consulta.
E se as duas opiniões forem diferentes?
O médico explica o porquê da diferença: um achado de exame, uma técnica, um objetivo seu, como engravidar. Entender o motivo costuma ajudar mais do que contar opiniões.
Se a cirurgia for indicada, preciso operar na Clínica?
Não. A segunda opinião não é um compromisso de operar aqui. Você decide com quem e onde fazer a cirurgia.
Meus exames não mostram bem a doença. Vale a pena mesmo assim?
Vale. Parte da consulta é justamente dizer se falta algum exame e como ele deve ser feito para responder à pergunta certa [1].
Posso fazer a segunda opinião por telemedicina?
Pode, de qualquer cidade ou país. Se o exame ginecológico for necessário, isso é combinado na própria consulta [3].
A segunda opinião serve para mioma, adenomiose ou pólipo?
Serve. Esta página fala da endometriose profunda, mas o mesmo vale para outras indicações de cirurgia ginecológica.
Já fui operada e a dor voltou. Também é segunda opinião?
É, e a página Dor que persiste, recorrência e reoperação explica os caminhos possíveis.
Referências
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
- Stacey D, Légaré F, Lewis K, et al. Decision aids for people facing health treatment or screening decisions. Cochrane Database Syst Rev. 2017;4(4):CD001431. doi:10.1002/14651858.CD001431.pub5 · PMID 28402085
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.314, de 20 de abril de 2022. Define e regulamenta a telemedicina como forma de serviços médicos mediados por tecnologias de comunicação. Diário Oficial da União; 5 maio 2022.
- Abdalla-Ribeiro H, Maekawa MM, Lima RF, de Nicola ALA, Rodrigues FCM, Ribeiro PA. Intestinal endometriotic nodules with a length greater than 2.25 cm and affecting more than 27% of the circumference are more likely to undergo segmental resection, rather than linear nodulectomy. PLoS One. 2021;16(4):e0247654. doi:10.1371/journal.pone.0247654 · PMID 33857130
