Como tratamos
Histeroscopia
A histeroscopia é o exame e a cirurgia feitos por dentro do útero, com uma câmera fina que entra pela vagina e pelo colo, sem nenhum corte na barriga. É a forma mais precisa de ver a cavidade do útero e permite, no mesmo ato, retirar pólipos, alguns miomas, septos e aderências, e colher biópsia. Muitos procedimentos podem ser feitos em ambiente ambulatorial, sem anestesia geral; os maiores, no hospital, com alta no mesmo dia.
Autoria: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239) e Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro (CRM-SP 85949, RQE 56380)
Revisão: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239), Diretor Científico · Revisado em
O que é
A histeroscopia é o exame, e também a cirurgia, feito por dentro do útero. Uma câmera fina, o histeroscópio, entra pela vagina e passa pelo colo do útero, sem nenhum corte na barriga. Um líquido, em geral soro, abre a cavidade para que ela possa ser vista em detalhe no monitor.
Para as alterações dentro do útero, como pólipos, é o exame de maior precisão, e a vantagem é que muitas vezes o diagnóstico e o tratamento acontecem no mesmo ato [1]. A curetagem "às cegas" deve ser evitada para esses casos, porque pode deixar a lesão para trás [1, 2].
Os dois médicos da Clínica têm título de habilitação conferido pela FEBRASGO em histeroscopia, laparoscopia e cirurgia robótica.
Para quem pode ser indicada e para quem não
A histeroscopia é usada para investigar e tratar:
- sangramento uterino anormal, antes ou depois da menopausa [1, 3];
- pólipos endometriais, que podem ser retirados no mesmo exame [1, 2];
- miomas submucosos, os que crescem para dentro da cavidade do útero (tipos 0, 1 e 2 da classificação FIGO) [3];
- septo uterino e outras malformações da cavidade;
- aderências dentro do útero;
- infertilidade, para avaliar a cavidade antes de tentar engravidar ou de uma fertilização;
- restos placentários e DIU de difícil retirada;
- biópsia dirigida do endométrio.
Não é feita durante gravidez em curso, com infecção pélvica ativa ou com sangramento muito intenso no momento do exame.
Como é feita
Em ambiente ambulatorial (histeroscopia ambulatorial)
- Sem anestesia geral. Em geral não é preciso espéculo: a câmera entra direto pela vagina (técnica vaginoscópica).
- O soro abre a cavidade, e o médico examina o útero por dentro.
- Se houver um pólipo pequeno ou uma aderência, ele pode ser retirado na hora, com instrumentos finos que passam pela própria câmera.
- Leva de 5 a 20 minutos.
No hospital (histeroscopia cirúrgica)
- Com anestesia (sedação ou raquianestesia), para miomas, septos e pólipos maiores.
- É usado um histeroscópio um pouco mais calibroso, com alça ou morcelador para retirar o tecido.
- Todo tecido retirado vai para exame anatomopatológico [1].
- Alta no mesmo dia, na maioria dos casos.

Preparo
- De preferência, na primeira metade do ciclo, logo depois da menstruação.
- Teste de gravidez quando houver possibilidade.
- Na histeroscopia ambulatorial: um analgésico ou anti-inflamatório antes do exame costuma ser orientado; não é preciso jejum.
- No hospital: jejum e consulta pré-anestésica.
Recuperação
| Procedimento | Retorno às atividades |
|---|---|
| Histeroscopia ambulatorial | no mesmo dia |
| Histeroscopia cirúrgica no hospital | 1 a 2 dias |
Cólica leve e um pequeno sangramento por alguns dias são esperados. Relação sexual e piscina ficam para depois que o sangramento parar, conforme a orientação de cada caso.
Riscos e como reduzimos
Os riscos são baixos: cólica, reação vagal (tontura ou queda de pressão durante o exame), infecção e, raramente, perfuração do útero ou formação de aderências depois de cirurgias maiores [1]. Na histeroscopia cirúrgica, o volume de líquido usado é controlado durante todo o procedimento.
Para o desconforto na histeroscopia ambulatorial, há medidas com evidência: anestésico local, analgésico antes do exame, instrumentos finos e técnica sem espéculo [4, 5]. Se você sentir muita dor, o exame pode ser interrompido e remarcado com sedação.
Comparação honesta com as alternativas
| Histeroscopia | Ultrassom transvaginal | Curetagem | |
|---|---|---|---|
| Vê a cavidade do útero | diretamente, com câmera | por imagem | não vê |
| Trata no mesmo ato | sim, em muitos casos | não | retira tecido sem ver |
| Biópsia | dirigida ao ponto alterado | não | às cegas |
| Papel | confirmar e tratar [1] | primeiro exame para rastrear [1] | deve ser evitada para pólipos [1, 2] |
O ultrassom transvaginal continua sendo o primeiro exame. A histeroscopia entra quando é preciso confirmar o que o ultrassom sugere ou tratar.
Perguntas frequentes
Histeroscopia dói?
Preciso de anestesia?
A histeroscopia pode ser feita em ambiente ambulatorial, sem anestesia geral. Para miomas, septos e pólipos maiores, a histeroscopia é feita no hospital, com sedação ou raquianestesia.
Tem corte?
Não. A câmera entra pela vagina e pelo colo do útero.
Posso trabalhar no mesmo dia?
Depois da histeroscopia ambulatorial, em geral sim. Depois da cirúrgica, 1 a 2 dias.
Em que fase do ciclo é feita?
De preferência logo depois da menstruação, quando o endométrio está mais fino.
O pólipo pode ser retirado no mesmo exame?
Em muitos casos, sim, e o tecido sempre vai para análise [1].
Por que não fazer curetagem?
A histeroscopia ajuda a engravidar?
Ela avalia a cavidade do útero e trata o que pode atrapalhar, como septo, aderências ou mioma dentro da cavidade. A decisão de operar depende de cada caso [1].
Posso fazer se estiver menstruada?
Com sangramento leve, às vezes sim; com sangramento intenso, o exame costuma ser remarcado, porque a visão fica prejudicada.
Referências
- Vitale SG, Haimovich S, Laganà AS, et al. Endometrial polyps. An evidence-based diagnosis and management guide. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2021;260:70-77. doi:10.1016/j.ejogrb.2021.03.017 · PMID 33756339
- American Association of Gynecologic Laparoscopists. AAGL practice report: practice guidelines for the diagnosis and management of endometrial polyps. J Minim Invasive Gynecol. 2012;19(1):3-10. doi:10.1016/j.jmig.2011.09.003 · PMID 22196255
- Munro MG, Critchley HOD, Broder MS, Fraser IS; FIGO Working Group on Menstrual Disorders. FIGO classification system (PALM-COEIN) for causes of abnormal uterine bleeding in nongravid women of reproductive age. Int J Gynaecol Obstet. 2011;113(1):3-13. doi:10.1016/j.ijgo.2010.11.011 · PMID 21345435
- De Silva PM, Carnegy A, Smith PP, Clark TJ. Local anaesthesia for office hysteroscopy: a systematic review & meta-analysis. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2020;252:70-81. doi:10.1016/j.ejogrb.2020.05.062 · PMID 32570188
- Buzzaccarini G, Alonso Pacheco L, Vitagliano A, et al. Pain management during office hysteroscopy: an evidence-based approach. Medicina (Kaunas). 2022;58(8):1132. doi:10.3390/medicina58081132 · PMID 36013599
