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“Endometriose tem cura?” está entre as perguntas mais frequentes no consultório. A resposta honesta tem algumas camadas.

Doença crônica, remissão e controle

A endometriose é considerada uma doença crônica. Ser crônica não significa que a mulher vá conviver com sintomas para sempre, mas significa que a doença pode voltar. Por isso, hoje falamos mais em remissão (um período sem sinais da doença) e em controle do que em cura propriamente dita.

O tratamento só com remédio não elimina a endometriose: ele controla a inflamação e a dor enquanto é usado. Já depois de uma cirurgia adequada, com remoção de todos os focos, muitas pacientes entram em remissão e ficam longos períodos sem sintomas.

As chances variam de mulher para mulher. Dependem da extensão e da complexidade da doença, de cirurgias anteriores, das aderências e do cuidado depois do tratamento. Uma doença tratada de forma completa já na primeira cirurgia tende a ter um caminho mais favorável.

Recidiva ou persistência?

Duas palavras costumam ser confundidas:

  • Recidiva é quando a doença volta depois de ter sido removida.
  • Persistência é quando a doença não foi removida por completo e continua onde estava.

Muitas vezes, quando se diz que “a endometriose voltou” pouco tempo depois de uma cirurgia, na verdade ela persistiu. É uma das razões pelas quais o diagnóstico completo e o planejamento da cirurgia, de que falamos no episódio anterior, são tão importantes.

O que ajuda a manter a doença sob controle

  • Tratamento depois da cirurgia: o tratamento hormonal complementar, em geral por alguns meses, pode reduzir a chance de a doença voltar. A evidência é de baixa certeza, e a indicação é individual.
  • Planos para a gravidez: depois dessa fase, se a mulher quer engravidar, a menstruação é liberada para que ela tente. Se não quer engravidar agora, pode-se pensar em prevenção, inclusive com a suspensão da menstruação.
  • Hábitos: alimentação e atividade física regular também fazem parte da prevenção.
  • Acompanhamento: consultas periódicas, a cada seis meses ou uma vez por ano, com exame ginecológico e exames de imagem quando indicados.

Viver bem com o diagnóstico

Muitas mulheres convivem bem com a endometriose depois de diagnosticadas e tratadas. Muitas vezes, o mais difícil é não saber o que se tem. Informação adequada traz autonomia, e o tratamento correto pode mudar a trajetória de vida: mais qualidade de vida e, para quem deseja, a possibilidade de engravidar.

Para levar deste episódio: você não escolheu ter endometriose, mas não precisa enfrentá-la sozinha.

Conteúdo informativo sobre saúde da mulher. Não substitui a consulta nem a avaliação individual com o seu médico.

Referências

  1. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
  2. Chen I, Veth VB, Choudhry AJ, et al. Pre- and postsurgical medical therapy for endometriosis surgery. Cochrane Database Syst Rev. 2020;11(11):CD003678. doi:10.1002/14651858.CD003678.pub3 · PMID 33206374
  3. Horne AW, Missmer SA. Pathophysiology, diagnosis, and management of endometriosis. BMJ. 2022;379:e070750. doi:10.1136/bmj-2022-070750 · PMID 36375827

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