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No episódio passado falamos sobre o que é a endometriose. Hoje a pergunta é: quando a cólica deixa de ser normal? E o que isso muda na vida de cada mulher?

A dor que não é normal

Não é normal a dor que:

  • impede a mulher de trabalhar ou tira a menina da escola;
  • faz usar analgésicos com frequência;
  • leva ao pronto-socorro para tomar medicação na veia.

Também vale prestar atenção quando alguma coisa muda. Aquela cólica que começava no primeiro dia e durava dois dias ficou diferente: vem mais forte e dura mais tempo. Conte isso ao seu médico, ao parceiro, à família.

Sintomas que antes passávamos por cima

Nas últimas duas ou três décadas, a medicina aprendeu a reconhecer outros sintomas de dor ligados à endometriose. Cólica e dor na relação sexual sempre foram valorizadas. Já a dor para evacuar e a dor para urinar eram pouco lembradas.

Se um desses sintomas é novo, se você não tinha e agora tem, valorize. Vale investigar.

Outro exemplo é a dor no ombro. Há 30 ou 40 anos quase não se pensava em endometriose no diafragma. Na última década, ela passou a fazer parte do dia a dia dos consultórios.

A dor que se espalha

Muitas pacientes contam que a dor vai para a perna, para a virilha. Ela não fica só na pelve: vai para as costas, para o bumbum, para o ombro, até para a ponta do pé. Toda essa informação ajuda o médico a chegar a um diagnóstico preciso o mais rápido possível. Fique atenta aos sinais do seu corpo e conte o que mudou.

Dor que acontece todo mês, fora do útero

Preste atenção nisto: se você tem dor num lugar que não é o útero, e ela aparece todo mês na época da menstruação, no ombro, ao evacuar, ao urinar, alguma coisa está errada.

Quando o tratamento inicial não resolve

Muitas vezes começamos com anticoncepcional e anti-inflamatório enquanto os exames são feitos. Se, mesmo assim, a dor não melhora, é um sinal de alerta. Pode haver outro órgão acometido, ou outra coisa acontecendo.

Para levar deste episódio

  • Se a dor está controlando a sua rotina, é sinal de alerta. Procure avaliação médica.
  • Fique atenta à dor que mudou ao longo dos anos, à dor que começou na adolescência e continua na vida adulta, e ao histórico de endometriose na família.

Não espere a dor ficar crônica para se cuidar.

Conteúdo informativo sobre saúde da mulher. Não substitui a consulta nem a avaliação individual com o seu médico.

Referências

  1. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
  2. Horne AW, Missmer SA. Pathophysiology, diagnosis, and management of endometriosis. BMJ. 2022;379:e070750. doi:10.1136/bmj-2022-070750 · PMID 36375827
  3. Nezhat C, Amirlatifi N, Najmi Z, Tsuei A. Thoracic endometriosis syndrome: a comprehensive review and multidisciplinary approach to management. J Clin Med. 2024;13(24):7602. doi:10.3390/jcm13247602 · PMID 39768527

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