EndoPapo · T1 E03
Sintomas além da cólica: ansiedade, depressão e desejo sexual
A endometriose não é só dor física: ansiedade e depressão são frequentes e pesam muito na qualidade de vida, no trabalho e nos estudos. A diminuição do desejo sexual pode vir da própria doença, da dor, do sofrimento emocional ou de alguns remédios. O cuidado precisa olhar a mulher como um todo, com fisioterapia, nutrição e saúde mental ao lado do ginecologista.
Autoria: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239) e Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro (CRM-SP 85949, RQE 56380)
Revisão: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239), Diretor Científico · Revisado em
Neste EndoPapo falamos dos sintomas que vão além da cólica menstrual. Não dá para pensar só em dor. Precisamos olhar para a mulher como um todo.
A dor que não aparece no exame
Às vezes a dor física esconde outra: a da ansiedade, a da depressão, a do sofrimento emocional. Quantas mulheres faltam ao trabalho, ou até perdem o emprego, e não é só pela dor física. Existe todo um aspecto psicológico envolvido.
Começa cedo: a adolescência
Um ponto que às vezes passa despercebido é o diagnóstico na adolescência. Uma adolescente com dor que não é ouvida, não é diagnosticada e não é tratada pode chegar à vida adulta também com ansiedade e depressão.
A ansiedade e a depressão respondem por grande parte da perda de qualidade de vida. Levam às faltas no trabalho e também ao que chamamos de presenteísmo: estar no trabalho sem conseguir render.
Em estudo do nosso grupo na Santa Casa de São Paulo, com mulheres com endometriose profunda e acometimento intestinal que aguardavam cirurgia, a maioria apresentava sintomas de ansiedade e depressão. Esses sintomas vão de algo que atrapalha um pouco o dia a dia até quadros graves, que afastam do trabalho. Quando falamos em intensidade menor, é só na medida das escalas: todo sofrimento psicológico é intenso para quem vive e precisa ser valorizado.
Cuidado em equipe
Não somos só nós, ginecologistas, que acompanhamos a paciente com endometriose. Precisamos de uma equipe multidisciplinar: fisioterapeuta, nutricionista e um profissional de saúde mental, habitualmente o psicólogo, para ir aliviando esse sofrimento. Ele não está por trás da dor, está junto. Às vezes, está até na frente.
Desejo sexual
Outro assunto que não podemos deixar de lado é a diminuição do desejo sexual.
- A doença e a dor. Muitas vezes está ligada à endometriose profunda, como o nódulo na vagina ou atrás do útero (retrocervical), que causa dor na relação. É muito difícil ter desejo quando se tem dor.
- O lado emocional. Outras vezes, a causa está nos aspectos psicológicos.
- Alguns remédios. Parte do tratamento hormonal e alguns medicamentos usados para ansiedade e depressão podem diminuir o desejo sexual.
Por isso, ansiedade, depressão e desejo sexual precisam ser lembrados e conversados na consulta.
Para levar deste episódio: não se trata só de dor. Acolher bem a mulher com endometriose é valorizar a dor física, a dor psicológica e todos os aspectos da vida que a doença afeta.
Conteúdo informativo sobre saúde da mulher. Não substitui a consulta nem a avaliação individual com o seu médico.
Referências
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- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
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