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Quando alguém recebe o diagnóstico de endometriose, a primeira pergunta costuma ser: “vou precisar operar?”. Em muitos casos, não. Muitas mulheres têm um bom controle da doença com o tratamento medicamentoso, ajustado a cada caso.

Para que serve o tratamento hormonal

O objetivo principal do tratamento com remédio é controlar a dor e melhorar a qualidade de vida.

Existe uma lógica por trás dele. O hormônio age sobre as células da endometriose e diminui a inflamação; com menos inflamação, há menos dor. Em geral, o tratamento suspende a menstruação, e algumas mulheres se adaptam mal a isso ou se preocupam com efeitos como o ganho de peso. Essas dúvidas merecem ser conversadas na consulta, porque há opções diferentes e o tratamento pode ser ajustado.

O hormônio não trabalha sozinho

A endometriose é uma doença que pede cuidado de várias áreas. Quando a mulher entende isso, ela entende mais a doença e o próprio tratamento.

  • Fisioterapia: pode ajudar antes da cirurgia, depois dela ou como complemento ao tratamento clínico. É uma aliada em várias fases do cuidado.
  • Nutrição: uma alimentação com perfil anti-inflamatório pode ajudar no bem-estar, na distensão abdominal e no controle do peso. Ela complementa o tratamento, não o substitui.
  • Atividade física: a atividade aeróbica regular ajuda muitas mulheres a conviver com menos dor.
  • Saúde emocional: a psicoterapia ajuda muito. E cuidar de si vai além do consultório: uma boa leitura, a oração, uma viagem, uma conversa com amigas, um passeio com a família. Encontrar o seu ponto de equilíbrio também faz parte do tratamento.
  • Outros recursos: algumas pacientes se beneficiam de acupuntura e drenagem, como complemento.

Na nossa visão, o tratamento hormonal tende a funcionar mais quando vem acompanhado dessas terapias complementares.

Quando a cirurgia entra na conversa

O tratamento hormonal é a primeira linha na maior parte dos cenários. Mas há situações em que a cirurgia precisa ser considerada:

  • quando o tratamento com remédio não controla os sintomas;
  • quando a doença compromete órgãos, como o intestino ou a bexiga;
  • quando a doença é extensa ou há comprometimento importante dos ovários, com cistos de endometriose (endometriomas).

Para levar deste episódio: o remédio é o primeiro caminho para muitas mulheres, e ele rende mais acompanhado.

No próximo episódio, falamos com mais profundidade da cirurgia: quando ela é indicada e como é planejada.

Conteúdo informativo sobre saúde da mulher. Não substitui a consulta nem a avaliação individual com o seu médico.

Referências

  1. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
  2. Chen I, Kives S, Zakhari A, et al. Progestagens for pain symptoms associated with endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2025;10(10):CD002122. doi:10.1002/14651858.CD002122.pub3 · PMID 41065045
  3. Horne AW, Missmer SA. Pathophysiology, diagnosis, and management of endometriosis. BMJ. 2022;379:e070750. doi:10.1136/bmj-2022-070750 · PMID 36375827

Se ficou dúvida sobre o seu caso, o próximo passo é uma conversa.

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