EndoPapo · T1 E07
Tratamento clínico da endometriose: o hormônio e o que vem junto
Em muitas mulheres, a endometriose é bem controlada com remédio: o tratamento hormonal reduz a inflamação e, com isso, reduz a dor. O hormônio não trabalha sozinho: fisioterapia, nutrição, atividade física e cuidado com a saúde emocional fazem parte do tratamento. A cirurgia passa a ser considerada quando o remédio falha, quando a doença compromete órgãos como intestino e bexiga ou quando há endometriose extensa nos ovários.
Autoria: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239) e Profa. Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro (CRM-SP 85949, RQE 56380)
Revisão: Prof. Dr. Paulo Ayroza Ribeiro (CRM-SP 60560, RQE 77239), Diretor Científico · Revisado em
Quando alguém recebe o diagnóstico de endometriose, a primeira pergunta costuma ser: “vou precisar operar?”. Em muitos casos, não. Muitas mulheres têm um bom controle da doença com o tratamento medicamentoso, ajustado a cada caso.
Para que serve o tratamento hormonal
O objetivo principal do tratamento com remédio é controlar a dor e melhorar a qualidade de vida.
Existe uma lógica por trás dele. O hormônio age sobre as células da endometriose e diminui a inflamação; com menos inflamação, há menos dor. Em geral, o tratamento suspende a menstruação, e algumas mulheres se adaptam mal a isso ou se preocupam com efeitos como o ganho de peso. Essas dúvidas merecem ser conversadas na consulta, porque há opções diferentes e o tratamento pode ser ajustado.
O hormônio não trabalha sozinho
A endometriose é uma doença que pede cuidado de várias áreas. Quando a mulher entende isso, ela entende mais a doença e o próprio tratamento.
- Fisioterapia: pode ajudar antes da cirurgia, depois dela ou como complemento ao tratamento clínico. É uma aliada em várias fases do cuidado.
- Nutrição: uma alimentação com perfil anti-inflamatório pode ajudar no bem-estar, na distensão abdominal e no controle do peso. Ela complementa o tratamento, não o substitui.
- Atividade física: a atividade aeróbica regular ajuda muitas mulheres a conviver com menos dor.
- Saúde emocional: a psicoterapia ajuda muito. E cuidar de si vai além do consultório: uma boa leitura, a oração, uma viagem, uma conversa com amigas, um passeio com a família. Encontrar o seu ponto de equilíbrio também faz parte do tratamento.
- Outros recursos: algumas pacientes se beneficiam de acupuntura e drenagem, como complemento.
Na nossa visão, o tratamento hormonal tende a funcionar mais quando vem acompanhado dessas terapias complementares.
Quando a cirurgia entra na conversa
O tratamento hormonal é a primeira linha na maior parte dos cenários. Mas há situações em que a cirurgia precisa ser considerada:
- quando o tratamento com remédio não controla os sintomas;
- quando a doença compromete órgãos, como o intestino ou a bexiga;
- quando a doença é extensa ou há comprometimento importante dos ovários, com cistos de endometriose (endometriomas).
Para levar deste episódio: o remédio é o primeiro caminho para muitas mulheres, e ele rende mais acompanhado.
No próximo episódio, falamos com mais profundidade da cirurgia: quando ela é indicada e como é planejada.
Conteúdo informativo sobre saúde da mulher. Não substitui a consulta nem a avaliação individual com o seu médico.
Referências
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. doi:10.1093/hropen/hoac009 · PMID 35350465
- Chen I, Kives S, Zakhari A, et al. Progestagens for pain symptoms associated with endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2025;10(10):CD002122. doi:10.1002/14651858.CD002122.pub3 · PMID 41065045
- Horne AW, Missmer SA. Pathophysiology, diagnosis, and management of endometriosis. BMJ. 2022;379:e070750. doi:10.1136/bmj-2022-070750 · PMID 36375827
